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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Fwd: Integral Perfeito========== a História dos Meus Personagens


Mensagem original
De: jose carlos lima < jose.carlos.lima@hotmail.com >
Para: jose.carlos.lima@hotmail.com
Assunto: Integral Perfeito========== a História dos Meus Personagens
Enviada: 09/12/2005 06:14

Este e-mail está sendo enviado para mim mesmo com cópia oculta para você
edson barrus, libertário
ney matogrosso, libertário
edson passetti, libertário
joao, libertário
danielle, libertária
ladgero, libertário
carlos, libertário
jorte, libertário



alexandre, libertário
edilson, libertário
paulo, libertário
fabio, libertário
ateus libertários
o paPA



papai, sim
edney, libertário
carlos, libertário
dançarinos libertários
curador libertário

todas estas pessoas são boas

será o papa um libertário?

até que ponto?

a simples autoridade=poder que ele exerce sobre o outro o torna não
libertário

por isso preferi o meu pai, que também não deixa de ser uma autoridade, a
ele

o meu pai é uma autoridade sim

mas é amigo

por isso é um libertário

e é disso que fala Edson Passetti, spin escritor=libertário, humano


visão - forma - conhecimento


Parte 1: visão


No computador está escrito
04:30
9 de dezembro de 2005
Ontem, dia 8 de dezembro, foi o pior dia da minha vida
Incrível
Se tivesse eutanásia eu teria corrido para o hospital para desaparecer de
vez
Anteontem, dia 7, eu estava no céu, num incrível estado de alumbramento
Ontem, na terra
Era a variação=alucinação dos meus persoagens
Se anteotem eu era spin deus
Ontem não
(   ) liberado
 era ninguém
no momento sou o que
Alguém que se esforça para achar um estado intermediário
Nem no céu nem na terra
Que inverno
Como choque aqui em Goiânia
A chuva  aprisionou
A chuva começou às 21 horas
Eu estava em frente ao hospi8tal
Fiquei ali, esperando a chuva passar
Deu meia-noite e chuva persistia
Preso, perdi as asas, as asas do personagem de anteontem
Aí fiquei ali, preso, pensando
E pensei em mil coisas
Este meu rosário de personagens
E pensei: não quero ir para o Rio de Janeiro assim, sem persongaem nenhum
E veio o contra-pensamento, a contra-argumentação de, quem sabe, um dos meus
personagens
Vá!!!!!
Vá de burca!!!!
Outro me mandou romper com todos os meus personagens
outro me mandou escrever o livro A História dos Meus Personagens
E aprisionado pela chuva um bocado deles passou pela minha cabeça
o D.... este acreditava que tudo na vida era deiscência
E explicava o mundo a partir da palavra "deiscência"
Na verdade, meus amigos ou pessoas que poderiam ser amigos, foram trocados
por um bando de personagens
um atrás do outro
percebo que não são vários, mas apenas um: Idéia
Um personagem que muda de nome=rosto para continuar oculto
para viajar em seus mundos fantásticos
estive me perguntando sobre tudo isso
e me perguntei quando comecei a padecer de personagens
de sofrer de PSR, Perda de Senso da Realidade
Será que foi por causa dos livros?
Talvez por isso eu consiga ler na tela do computador
Já li muito sobre Passetti
Talvez por isso eu consiga ler assim, mas não sobre papel=árvore
e ao pensar sobre esta possibilidade
olho para o chão e vejo o papel
e lembro-me de um sonho no qual meus textos=papéis=personagens eram
carregados pelo vento
e saíam por aí, pela cidade
e saí louco atrás dos personagens
e os recolhi
não todos
mas alguns
aqueles que o vento não conseguiu levar




Era o personagem AS

Ele tinha asas

Após a morte de todos, ele veio para reinar
Veio para substituir Idéia Sem Morte
Ou qualquer Idéia seguida do sobrenome Sem
Sem mais alguma coisa
Sem Morte
Sem Rosto
Sem Parede
Sem Vida
Sem Asas
AS eram, na verdade, as asas de Idéia
Dia 7 de dezembro, eu tinha asas, daí o intenso estado de alumbramento
Dia 8 de dezembro, dia da morte de John Lennon, eu já estava sem asas
Ah, esta história de personagens....
Quando vou parar com isso?
Um deles, ao tomar o corpo de Chapman, matou John Lennon
Eles são assim
Podem ser a vida=morte
Ou a morte=vida
Ontem eu era a morte
Queria matar ou matar
Diante da falta de coragem de matar alguém
Teria coragem de me matar
Não assim de forma violenta
Mas através da eutanásia
Um direito que deveria existir sim
Direito sobre o destino de nossos corpos
Morto, eu iria encomendar o meu velório
E não é pra isso que pago funerária?
Não seria exatamente um velório
Mas uma obra de arte
O velório de Idéia Sem Morte
Ou melhor dizendo, o Velório de Idéia
Aqui jazz Idéia Sem Vida
Idéia Sem Morte
Idéia Sem Amigos
Idéia Sem Simplicidade
Ta vendo?
Surgiu mais um nome de personagem
Eles são tanto
Dá para escrever um livro, A História dos Meus Personagens
Que tal A História de Idéia?
No Velório de Idéia haveria uma música de fundo
O canto das carpiderias, tem um CD produzido pela Universidade Católica de
Goiás
Idéia, com o corpo morto, seria preparado por artistas do Açúcar Invertido
Preparação...
Gravando....
Isto aqui não é realidade mas cinema=vídeo=fotografia=pintura
A morte de Marat, de David
A morte de Idéia
Gravando....
Seqüência 1 –
Ah, não estou nem um pouco a fim de apresentar esta obra
Fim da apresentação
Este negócio de morte
Nada disso me satisfaz
Esta idéia de burca
Não quero isso
Quero a simplicidade
Não quero nada disso, mesmo que, durante a dormência, em estado de
alumbramento onírico, eu tenha sonhado com isso
Não quero
Personagem nenhum manda em mim
Acabou
Cheguei ao limite da tolerância
Cancelar
Pronto, vou me cancelar
Responda com cancelar
Não quero mais escrever
Chega!!!!!!
Vou dormir
Quem sabe eu acorde legal?
No momento são 05:06 horas
Quanto a ir ou não ir ao Rio de Janeiro, não sei
Só sei que este texto, sem nenhuma preocupação estética, está sendo enviada
à minha terapeuta
não uma terapeuta qualquer
mas uma terapeuta libertária
e porque ela é uma terapeuta libertária?
porque, assim como Nise da Silvleira, não me podou
Não ignorou meus personagens
a cada seção nós conversamos sobre eles
eles não quiseram consultar com o Dr. JD, spin psiquiatra, pertencente à
raça humana e, como tal, capaz do bem e do mal
porque o personagem não quis consultar com o Doutor JD?
medo de lobotomia
JD foi o primeiro médico de AS
e de todos os personagens
ele prometeu a morte a Idéia
por isso Idéia tem medo de médico=====presídio
medo da chuva======prisão
medo dá medo======incapacidade==========letargia
medo de personagem
agora tenho medo de personagem
o que fazer para me libertar deles?

eles são assim
mandam em mim...

mas tudo tem um limite

chega!!!!

cancelar



Parte 2: forma

nesta noite sonhei

que tal pegar o objeto apreendido=visto=olhado=sido no sonho, colocar numa
moldura e levar para o Açucar Invertido, uma espécie de semana de 1a. Semana
da Amizade do Rio de Janeiro?

Fazer uma brincadeira, uma espécie de brincadeira

o brincante que ganhar, leva a obra

qualquer obra que eu faça a partir de meus sonhos, que tal um livro, já que
este livro começou assim, durante a dormência, num sonho?

Não uma semana de paz

pois que a paz não se conquista assim através de personagens

a paz se alcança mediante a intervenção dos terapeutas

a paz se alcança mediante a implantação do universo de Idéia

um universo que implica num novo calendário, na substituição do Poder
Judiciário=Penal pelo PT, leia-se Poder Terapêutico

a instância máxima da cidade

um poder integrado por terapêutas

não este terapêutas da linha do doutor JD

mas terapeutas libertários

estes que não ignoram aquilo que os viventes olham=são


Parte 3: conhecimento

conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres ( João... segundo ele,
frase de Jesus)

ah, eles são tantos!!!!!!!!!

eles quem=que?

os libertários

engraçado....

na cidade dos meus personagens ontem deveria ter sido dia parado=feriado,
pois que foi dia da música Imagine

esta música eu vi o Ney Matogrosso e a Simone cantando

vi antes de todo mundo

primeiro vi em sonho

e depois na realidade

é que às vezes sonho com as coisas antes de elas acontecerem

antes que qualquer coisa fosse noticiada a respeito desta crise política,
dormindo, sonhei com ela

no sonho, o ministro demitiu um senhor de Paulo

enviei um e-mail relatando ao ministro que eu havia sonhado assim assado

dias depois vi no jornal a demissão de um Paulo por Gil

ele demitiu com dor no coração

mas demitiu

não sei se ele demitiu face ao meu sonho-email

mas de qualquer forma foi uma corroboração do meu sonho

na cidade-estado dos meus personagens é assim

dá-se importância ao sonho

ah, como eu estava falando, na cidade deles ontem foi feriado

eu teria que ter ficado parado, sem escrever

por isso entrei em crise

e quis morrer

desrespeitei o Integral Perfeito

dirão: pronto...

lá vem ele com mais um personagem

Já não basta o Idéia
Idéia Sem Morte
Da Lata
AS
D, etc?

Integral não é nome de personagem

mas o nome de Deus

ele é o espírito absoluto

onde achei este nome?

dormindo

durante a dormência eu sonhei=olhei=fui o Integral Perfeito

uma espécie de viagem em direção ao infinito

em forma de fitas de DNA

fitas natalinas

chega!!!!!!!!!

cuidado com o estado de alumbramento...

não quero chegar a isso

não quero estar no céu nem na terra

que estar aqui, no meio=atsmofera

não quero estar fora nem dentro da realidade

quero observar

somente isso

então que tal ir para o Açúcar Invertido como observador?

seria uma boa medida

vá....

sem nenhuma obrigação



vá para estar

somente isso

quem está pedindo isso?

o Integral Perfeito

Integral Perfeito: leia e releia o texto de ontem, o dia da morte, o dia da
morte de John Lennon

olhe-se no espelho

dança

dança mu

mu dança

inversão

amigo.invertido, vá

vou reler o e-mail sim

e a partir de hoje não escreva mais para ninguém

escreva para você mesmo

no momento são 6:00 horas

a seguir, o sonho=email de ontem, dia da morte de John Lennon que, por ser
dia da morte de um libertário universal, deveria ter sido feriado na cidade
dos meus personagens. ontem foi feriado aqui em Goiânia na Justiça. Ontem, 8
de dezembro, foi dia da Justiça

Quanta engananação.....

tantas mentiras....

ontem não deveria ter sido feriado por ser Dia da Justiça

No livro Integral Perfeito está escrito que na cidade dos meus personagens
todos os dias parados=feriados se destinam a lembrar-nos dos libertários

se jesus foi um libertário? sim. Não este jesus que está escrito na bíblia,
mas o Jesus humano. ele teve momentos de fraqueza. mas foi libertário sim.
de libertário foi transformado em tirano, daí a fatídica ICH, Instrução
Contra os Homossexuais, recentemente baixadas por Bento XVI - Ratzinger.

Falando nisso, vou enviar cópia deste e-mail para os não libertários. Por
favor, me passem o e-mail deles, que não tenho. Me enviem e-mails=endereços
virtuais=reais de não libertários:
Bush, anti-libertário
Blair, anti-libertário
Berlusconi, anti-libertário
Been Laden, anti-libertário
Bento XVI, anti-libertário

Por coincidência, todos eles começam com a letra B

B de Bosta

B de Bestas

B de Bebês

Bando de imaturos!!!!!!!!!

Vocês, com suas encíclicas, com suas Instruções, me classifcam de imaturo

Uma ova!!!!!!

Vá tomar banho, seu imundo!!!!!!!!

Use jornais, os de hoje, com seus nomes=olhos=seres, para limpar=enxugar
seus corpos=olhos=seres

o mesmo jornal que, nesta noite, durante a dormência, olhei=fui

A seguir, o e-mail=mensagem=sonho de ontem

visão - forma - conhecimento


Parte 1: visão

Edson,

partindo desse ponto "A reinvenção da amizade"
até que ponto tenho feito por onde ter amigos?
engraçado....
desde a infância, por volta de 12 anos de idade, me debato com isso
com a busca da amizade
talvez aí tenha surgido a burca
o ocultar-se
o simular um corpo que não existe
dias atrás sonhei que eu era uma árvore
uma árvore que estava embrulhada por um tecido=juta
a árvore foi desembrulhada
e dali brotaram vários rostos
pensando nisso, gostaria sim de ser desembrulhado=livre=espontâneo
sem burca
sem outro corpo
no entanto...
preciso de que?
sinto que nada que eu disse agora tem qualquer coesão
é tudo sem sentido
um momento.... vou ligar para um amigo
ao invés de escrever, vou dizer isto para ele
quero dizer da minha imaturidade afetiva
como sou imaturo!!!
o simples fato de lembrar que tenho um amigo já me faz bem
não preciso nem ligar

...................... fim do momento visão.....


............. Parte 2: forma...................

imagino-me chegando ao Res-do-Chão

chego usando uma burca de juta.

entro na casa

vou direto para a pia do banheiro

começo a escovar os dentes

creme dental= sabonete

tomo banho com sabonete

não sei ao certo se vou tirar a roupa para tomar banho

não...

não é esta a minha intenção

..................fim do momento forma.................

............................. Parte 3: conhecimento............


após a elaboração da visão e formas, momentos anteriores, agora tomo
conhecimento do quanto, apesar de sempre ter buscado, tenho fugido, não
sabido lidar com, ou não percebido a importancia da amizade, agora sei o
quanto sou imaturo, um distoante da realidade, um perdido no mundo. porque
nunca encontro a simplicidade=espontaneidade que sempre busquei?
quando=como=porque a perdi? foi a partir deste momento que me perdi.

bjs, jose carlos

...................... fim do momento conhecimento...........

O que é isto?
Isto é um exercício de busca da amizade, da superação da imaturidade, do ser
simples, etc, não sei ao certo

Este e-mail foi transmitido, no momento, somente para Edson Barrus com
cópia oculta para Ney Matogrosso. Pode ser que, posteriormente, após um
breve período na geladeira, eu o encaminhe para terapêutas, artistas, etc.
Talvez eu estivesse enviando isto somente para terapêutas. Ah sim, estou
enviando uma cópia oculta para a minha terapeuta e para um psiquiatra.
Imagino uma cidade na qual pessoas assim como eu se expressam apenas para
terapeutas.

Você tem duas opções:

( ) continuar acompanhando ISR
( )cancelar respondendo com cancelar



From: edson_barrus
To: jose.carlos.lima@hotmail.com
Subject: A reinvenção da amizade
Date: Tue, 6 Dec 2005 13:13:12 -0200


...fico pensando se com a Burca , que tem muito a ver com o trabalho Homem
com Bunda de Mulher, voce nao estaria dentro dessa 'atitude avestruz' que
voce escreveu antes, de esconder o rosto, adiando e jogando para debaixo do
tapete a sua verdadeira ideia...


A reinvenção da amizade
Margareth Rago


Éticas dos Amigos: invenções libertárias da vida
Edson Passetti
São Paulo, 2003
Imaginário
Tel.:3864-3242
292 páginas
R$ 35

Poucos duvidam de que ter amigos é um dos bens mais preciosos em nossos
tempos, marcados por muita descrença e insegurança. Ao mesmo tempo, quase
todos entendem que os amigos são poucos, defendendo-se para com os demais
uma relação de distância e desconfiança. Mal nos damos conta do modelo de
amizade que praticamos, modelo cristão pautado na família e confinado ao
privado, mesmo quando bradamos contra a destruição da esfera pública, a
privatização da vida social, ou a atomização do indivíduo.

Ainda recentes, as discussões sobre a difusão do modelo privatizado da
amizade, que associa o amigo ao irmão vêm, contudo, revelando que outros
modos de relação consigo e com os outros, fundados na solidariedade e no
respeito à diferença são possíveis. Mais que isso, são necessários para a
tão desejada reinvenção das formas da sociabilidade e da subjetividade.

É na direção dessas problematizações que o livro de Edson Passetti aponta,
aprofundando uma importante discussão ética da atualidade: as possibilidades
da amizade entendida como vida em expansão, ou como afirmação de existências
livres.

Professor de Ciências Políticas da PUC-SP, Passetti tem-se destacado pela
crítica ousada e pelo corajoso enfrentamento de temas políticos da mais alta
pertinência. Seu trabalho gira em torno da busca de um fundamento ético para
a reinvenção das relações intersubjetivas e associativas, assim como uma
reatualização do anarquismo, de modo a escapar da herança humanista do
passado.

Coordenador do Núcleo da Sociabilidade Libertária, do pós em Ciências
Sociais dessa Universidade, Passetti publica atualmente a revista Verve,
dedicada a temas libertários e é autor de vários livros e artigos referentes
à violência contra as crianças e ao abolicionismo penal.

Éticas dos Amigos pergunta pelas "invenções libertárias da vida", propondo
uma genealogia da amizade no pensamento ocidental, especialmente quando
formulada em relação às práticas da liberdade. Embora realize uma ampla e
erudita historicização dos múltiplos sentidos atribuídos à amizade desde a
Antigüidade clássica, seu principal alvo de investimento dirige-se à busca
comprometida das experiências outras das práticas da amizade, para além dos
conhecidos parâmetros do presente.

A amizade que Passetti elege não se refere, portanto, à relação confortante,
especular e íntima estabelecida entre iguais, através da qual reforçam a
própria identidade e excluem os diferentes. Nem tampouco à aliança
garantidora da paz perpétua promovida pelos Estados contra o inimigo comum.
Antes, trata-se da busca inquieta pelos vínculos intensos que viabilizam
associações libertárias, no presente, geradoras de estilos de vida
não-hierárquicos, como querem os amigos La Boétie, Nietzsche, Stirner,
Foucault e Deleuze.

DESASSOSSEGO – Ao questionar a frase canônica de Aristóteles — "ah, amigos,
não há amigos" —, Passetti afirma: "A mim tocou a frase de Nietzsche 'ah,
inimigos, não há inimigos', pelo desassossego que traz e pela bravura em
reconhecer no amigo o melhor inimigo, o guerreiro que desestabiliza mas não
destrói, em oposição à amizade como bem superior, pacificação do conflito
interno e exterior à cidade".

Acompanhado por esses filósofos, o autor visita epicuristas e estóicos,
diferencia La Boétie de Montaigne, chega a Nietzsche e aos anarquistas
clássicos, em especial a Max Stirner, evidenciando os elos que os aproximam,
ou diferenciam na reflexão sobre a amizade.

Com Foucault, encontra nos modos de subjetivação dos gregos e dos romanos
experiências radicalmente diferentes da sujeição contemporânea: longe de
visar a produção dos "corpos dóceis" submetidos a um código moral
autoritário, eles cultivavam livremente os usos dos prazeres e os cuidados
de si. Relações de amizade se constituíam, pois, em experiências éticas que
almejavam a estetização da existência, em práticas da liberdade que
permitiam fazer do indivíduo um ser livre, capaz de se auto-governar, antes
mesmo de poder governar os outros e a pólis.

Vários capítulos compõem este ensaio lúcido e apaixonado, que discute
historicamente modos de coexistência, estilos de vida e formas da amizade,
convergindo para as possibilidades da criação de inúmeras "associações"
libertárias no presente.

É neste momento que o livro atinge seu ponto alto, ao fazer vibrar, ao lado
dos anarquistas clássicos, o pensamento de Stirner, incompreendido em função
de sua defesa radical do individualismo. Novamente, a leitura irreverente de
Passetti subverte as imagens cristalizadas: ao contrário do egoísmo
narcisista que lhe é freqüentemente atribuído, a defesa stirneana do Um
aparece como condição de possibilidade da afirmação libertária da amizade
entre iguais, mas diferentes.

A ética proposta por Passetti supõe que "amigos libertários inventam
existências, abalam o indivíduo, a sociedade e o Estado." Em suas palavras,
"A ética dos amigos não é a ética da amizade, um procedimento privado da
moral. Ela é presente, é agora. Não é a ética da vida boa, hedonista e
feliz. Ela se instrui na convivência amistosa com os outros que partilham
deste estilo de vida como arte de viver. Não busca o universal, o idêntico
ou afinidades. Mas vitalidades, vontades de potência, combates e embriaguez
possíveis para fazer emergir subjetividades constituintes."

A esse trabalho se entrega também o autor, convidando-nos a estabelecer
laços libertários e horizontalizados de amizade, como inimigos e guerreiros
desestabilizadores, desejosos de criar e de se reapossar do mundo, aqui e
agora.

Margareth Rago é professora livre-docente do departamento de História da
Unicamp; tem diversos livros publicados, sendo o último Entre a história e a
liberdade – Luce Fabbri e o anarquismo contemporâneo (Unesp, 2001).

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