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segunda-feira, 2 de julho de 2012

De Barrabás a Cachoeira

No que diz respeito ao Cachoeira, a afirmação que mais tenho ouvido ultimamente em GO é a de que o dinheiro sumiu da praça porque o Cachoeira está preso. Taxistas, vendedores, gente á procura de emprego, todos estão com isso na ponta da língua. No início fiquiei sem entender mas fiquei e silêncio. Ontem um rapaz me pediu 10 reais emprestados e já foi logo dizendo que o dinheiro havia "sumido da praça" por causa da prisão do Cachoeira. Não me contive e quis saber dessa história.
Eu: Como assim?
Ele: Essa crise que tá vindo aí é por causa da prisão do Cachoeira. Aqui em Nerópolis o dinheiro sumiu, ninguém tem dinheiro. Ele tinha uns caça-níqueis que movimentava o dinheiro. A prefeitura tinha negócios com o Cachoeira.


Eu: Mas era dinheiro sujo, do mundo do crime, isso não tá certo.
Ele: Mas agora tá todo mundo precisando dele. Ele era muito inteligente. Se ele continuar preso o Brasil vai afundar.
Eu (pensando): De onde será que partiu esse discurso que está na boca do povo? Provavelmente de algum meio de comunicação. É o que está na boca do povo: Queremos Barrabás!
Honoré Daumier: Queremos Barrabás!
Nerópolis é uma pequena cidade, que fica há 40 km de Goiânia. Até Nerópolis? Ao fazer uma busca sobre a relação entre Nerópolis e Cachoeira esta postagem que me levou a concluir que o povo tem lá suas razões para, entre Cristo e Barrabás, pedir a soltura deste: Se há dois mil anos atrás os escribas para manipular o povo e fazer com que estes referendassem a opinião de uma elite corrupta, hoje há uma imprensa carcomida que faz isso a contento de forma mais aprimorada. Enfim, de lá para cá nada mudou. Queremos Barrabás!
PF:Cachoeira pagou propina embrulhada em jornal a Leréia.
Parte do relatório da Polícia Federal, divulgada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, revela que o contraventor Carlinhos Cachoeira mandou entregar R$ 20 mil "embrulhados em jornal" para o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Na parte chamada "transações financeiras" do documento, a PF assinala que Cachoeira manda Geovani (Pereira da Silva), seu contador que está foragido, "passar dinheiro para o deputado Leréia, não sendo possível identificar a que título".
Uma assessora do contraventor participa da conversa e informa que o dinheiro foi colocado em um "envelope quadrado". Procurada pelo jornal, assessoria de Leréia informou que ele estava reunido com seus advogados. Em outro trecho do relatório, a PF registra suposto recebimento de propina por parte do deputado e ator Stepan Nercessian (PPS-RJ). A ligação em questão durou um minuto e 41 segundos. Nela, Stepan pergunta a Leréia se "entregou a carta que ele mandou". "Cachoeira diz que é para Stepan olhar lá", anota o relatório da PF. "Falam de dinheiro que Stepan pediu a Cachoeira. Stepan conversa com Gil, prefeito de Nerópolis", diz o documento. O deputado Stepan Nercessian não foi localizado para comentar o caso.
Carlinhos Cachoeira 
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

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